Afinal de contas, os dias passam... e faz 19 dias que não vivo direito. Vivo sobre o ódio, mas não vivo sobre a experiência. Sinto um vazio... nada me atinge. E eu também não atinjo ninguém. Vivo como um vazio... eu iria dizer que é como a névoa. Mas a névoa, é muito mais que o vazio... ela é o príncipio para o Infinito.
Me sinto em um infinito... mas um infinito, que não possui nada. Ele não tem cor; ele é transparente. Nele não existe atos; existe apenas um vento que te leva para algum lugar, que não existe. Ou melhor, não te leva para nenhum lugar. É difícil explicar o que sinto... mas eu quero sair daqui. Eu preciso sair daqui..
E a pessoa que me colocou nesta prisão não quer me ajudar... e ao menos sabe que eu preciso de sua ajuda. Sua ajuda não é a névoa; não é um beijo. Sua ajuda, é sua amizade, sincera. Me ajude... estou trancada em um lugar que não queria estar. Quero sair daqui, quero poder viver. Quero poder sorrir, ou odiar; quero poder chorar, ou não; quero poder voar... e não andar. Quero sair daqui...
Ontem, depois do intervalo da faculdade, fui ao "encontro" com o Charles. Eu havia dito que o ajudaria nas questões de Sociologia... eu estaria ajudando a ele, e a mim mesma. Eu não sou a cdf da sala, pelo menos pra mim. Mas tem muita gente que fala que sou... Bom, isso não importa. Importa que, eu já comecei a aprender a falar a explicação de algo para alguém. E comecei com Karl Marx, que era a questão mais difícil: o que é materialismo histórico e dialético. Comecei com minhas palavras que, materialismo histórico = realidade histórica, e a dialética é a contradição existente na realidade. E essas contradições são o plano material e ideal... que para Marx, eram designados como Estrutura e Superestrutura.
Vinícius chegou na hora da explicação, pois ele precisava também. Então nós 3 fomos andando (e eu achando que estávamos andando para qualquer lugar), mas na verdade estávamos indo em direção de uma linda moça. Ela usáva óculos, tinha cabelos pelos ombros; cabelo liso... Alguma coisa me chamava para a sua aparência. Me lembrava alguém, é lógico. Lembrava da Fernanda.
Eu ouvia suas palavras calmamente... sentia o seu leve toque de falar. Percebia que sua voz era um pouco grossa, que tinha interpretações subjetivas. Ela era parecida com Fernanda... Até que perguntei, quem era sua mãe.
Na certa, eu sabia o que ela iria responder. E eu estava certa, ela era filha de quem eu pensava; e era irmã da Fernanda. Perguntei: você é fotógrafa? Pois ela estava tirando foto do Charles. Ela me respondeu que não, mas disse que era publicitária.
No mesmo momento, olho para o lado, e vejo a Priscila, antiga conhecida minha. Cumprimentei, e perguntei algumas coisas básicas.
Eu e aquela moça, aquela moça e eu, aquela moça e os meninos, conversávamos. Senti uma leveza por dentro, um pouco de paz. Descansei o meu ódio por alguns curtos minutos. Então... agora aquela garota nos levava para outros passos: em direção a nossa sala. Até que, eu vi que já eram 21:10, e eu precisava entrar pra sala, pra fazer a prova de Sociologia.
Me despedi de meus amigos, que iriam entrar um pouco depois. E então perguntei para aquela linda garota... qual era o seu nome.
Ela disse ser Elisa. Meu coração parou. Meu corpo estremeceu. Minha verdade, que antes era verdade, se tornou mentira. Tudo havia se tornado ILUSÃO, depois de ela dizer qual era seu nome. Minha expectativa caiu... meus momentos de paz sumiram. E o ódio voltou; a dor se espalhou por todo o meu coração. E queriam sair pelos dedos, de pura repressão de minha alma...
Elisa... Não foi a toa que ela tinha esse nome; não foi a toa que nos encontraríamos bem quando fez 18 dias de perdição de meu espírito. Não foi coincidência. Seu nome apareceu para mim novamente, para eu lembrar de quem eu realmente era. Para eu lembrar o quanto eu odiava esta garota, que nem se quer conhecia. Para lembrar que meu ódio ainda pode evoluir muito mais... comparado a ela. E eu, não sei se foi feliz ou infelizmente, mas eu ocupei o seu lugar. Eu já me colocava como uma Elisa. Aliás, eu sou. Eu já fui. Eu era. E sou, e serei, para sempre.
[continua, mas eu quero que pare por aqui.]
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
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