PARTE I
Eu, na vida real, não tinha a mesma vontade de dormir, como sempre tive. Ia dormir 2 horas da manhã, ou 1... e precisava acordar cedo, consequentemente, para a arrumar a casa, fazer o almoço, ler sobre filosofia, e descansar. Não é bem nessa ordem que os fatos aconteciam. Então, eu, como mais um dia comum, fiquei até mais tarde assistindo um filme, já que o sono me faltava. Meia noite, uma hora, duas horas, três horas... da manhã. E nada de sono. E nada de nada. Todo mundo dormindo, mas em casa só tava eu, minha mãe, e o grande Amande. Já era muiiiito tarde da noite, até que resolvi ir deitar. Cheguei até minha cama, pensei um pouco, mas o sono ainda não vinha. Música não adiantaria, pois faria eu pensar mais ainda, ao contrário do que me aconselharam... O dia estava perto de nascer, e eu nem dormi ainda. Estava muito escuro, mas meus olhos se acostumaram rapidamente com isso, e tudo parecia muito gostoso para uma devorosa noite de amor, com alguém. É claro, só seria maravilhoso, pois a dor já era muito forte.
Deitei-me, então, e pus-me a relaxar. Olhava a janela... a cortina. Fechava os olhos, de vez em quando. Não ouvia passos, ouvia meus pensamentos, que não paravam. Inquietos estavam. Até que... de repente, a porta que estava meio-fechada abriu-se. A porta do meu quarto se abriu. Era Amande. Eu não sabia o que ele queria, mas de certo ele sabia. Ou, acho que não, sua falta de avareza e sua inocência me clamavam por duelos de peles, por uniões de corações. Ah, Amande. Amande chegou mais perto, e sentou do lado da minha cama. Estava claro, pois sua luminosidade natural encobriu os meus olhos. Ainda era noite, mas sua luz tomou conta do meu ser. Calmamente, sem dizer nada, ele se aproximou, e eu também. Seus laços controlavam o meu corpo. Nos beijamos, nossa, que beijo. Numa noite como aquela, tudo se pedia por mais. Seu cabelo loiro-esverdeado-queimado de mar era tão seco... Sua boca mesclava junto com sua língua, e parecia que queria um desejo só. A escuridão pôs-se então, e ficamos a sós, eu e você, no escuro. Isso, ainda, não significava nada... na verdade não era pra significar. Não era pra ser. Mas como somos teimosos com nós mesmos, acabamos indo pro lado esquerdo(o lado subversivo) do caminho.
Beijava-me intensamente, sem querer parar e, sem medo de parar. Sua fúria, não era esgotada. Seus anti-amores e sentimentos passados seriam esquecidos e queimados em efervescência, de agora em diante. Suas mãos puxavam para a cama, para que eu deitasse. Mas insisti, e me pus de joelhos, como vc estava. Seus pêlos loiros da perna estavam sossegados. Eu esfregava minha mão pelas suas costelas, devagar, e fui acelerando. Fui colocando força, de pouco em pouco. Então, eu fui descendo minhas maõs para algo invisivelmente redondo. Mais pêlos, eu sentia. Deslizei minhas mãos para seu traseiro, sem querer. E o que encontrei? Nada. Meu coração pulou, e eu já sabia então que tudo era uma farsa. Que ele só queria.. Minha boca abriu, e gritei MÃÃÃ(eêêêêê). O "ê" saiu abafado, pois Amande colocou a mão na minha boca. E disse, porque gritou? Até parece que ele não sabia... Eu disse que ele só veio aqui por sexo, só por sexo. Meu coração acelerou e eu estava perdida. Toda virgem morre de medo de sexo, mas na verdade é o que ela mais quer. É claro, que quer de um jeito diferente...
Amande quiz me explicar que não era aquilo. Ele disse alguma coisa, que eu não prestei atenção, mas algo de que seu shorts estava frouxo. Ok, levei em conta... Pediu para que eu não gritasse mais, e voltou a me beijar. Sua alma era mui calma. Estranhei tamanha calmaria. Seu beijo era ameno, leve, mesmo que sua boca fosse grande,magra e esticada. Essa sua calmaria foi me acalmando também, e me cobrindo de tanta leveza...
PARTE II
Nem dormi muito. Levantei, ainda de madrugada, e fui pra rua. Me sentei no chão, onde tinham pedras de mármore. Assustadoramente, vi algo escrito. Não me lembro bem, mas dizia alguma coisa sobre vida, coração, mulata... Eu sabia que era ele. Era Amande. Era o seu jeito de escrever, e eu o nunca confundiria. Encantada com tanta poesia, chegou um cara negro escroto, que queria sentar onde eu estava. Ok, sem dizer nada, levantei, e acendi um cigarro. Era bem mais uma flor. O cara me olhava estranho, muito estranho. Amande, bem louco, chegou do nada, me deu um abraço, e um beijo seco, e gostoso. Disse que já voltava, que queria falar comigo, e era pra eu o esperar. Depois que Amande saiu, o doido estranho, então, se levantou, chegou perto de mim, e disse: É um assalto. Tirou uma arma gigantesca do bolso (nem sei como coube naquele bolso) e disse pra eu passar tudo. TUDO. Minha bolsa carregava mp4 e celular. Mas isso não era o mais importante, eram as cartas. Cartas que eu escrevia, meus registros sentimentais para uma pessoa, que não era Amande...
Amande voltou. Viu o que se passava, mas não fazia nada. Só dizia pro cara não me roubar, que eu era uma 'pobre garota', mas soco, nada... Tinha medo, será? Amande, com tanta magreza, suportaria bater em um cara armado? Sua magreza, que tanto me chamava. Queria resolver com palavras... e não, no físico.
Amande: nome pertencente a uma língua de terras vermelhas desconhecidas. traduzido para o português, significa Amman.
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Assim como há de ser o encantamento. E principalmente o encantamento das palavras, o que li é sublime.
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