PARTE I
Eis eu aqui, em algum lugar. Estava sossegada em casa, quando... o telefone toca! Era o Wesley, falando que ia pro centro às s19 horas. É claro, perguntou se eu iria! Primeiramente, eu disse que não. Não, pois eu tinha que estudar, estudar, estudar... ir pra faculdade. Não lembro que professor ia ter nas duas primeiras aulas, mas eu não poderia faltar. Então, disse que não iria. Até que tive uma idéia: poderíamos nos ver sim, pois eu iria pro centro mais cedo, não lembro fazer o quê, e disse que poderíamos nos encontrar umas 18:30. Ok, ele disse que iria, e que me ligaria um pouco antes desse horário pra confirmar. Mas nem ligou, demorou um pouco pra ligar... mas ligou. Ele disse que o Jeffrey ia, e eu disse, ok, tudo bem. Eu e ele nos tínhamos nos visto sábado... e nos vimos na quarta. Foi muito estranho sábado, mas depois eu conto.
Então, fui andando para encontrá-los... e lá estavam. Wesley, como sempre, sem o seu braço, e Jeffrey, com seu cabelo verde. Encontramos a Karyni e o Jr. Decidiram comer um cachorrão... Mas eu, já faz um tempo, estava odiando essa comida nojenta. Enfim, vou descrever resumidamente o que ocorreu.
Jeffrey percebeu que eu tinha mais uma boneca. E voltou a dizer que Adalgisa era um nome feio pra caralho. Filha da puta... então, eu disse que o nome era lindo, e que ele era um loco. Disse o nome da nova boneca, que se chamava Anita. Risos e muitos risos Wesley e Jeffrey deram. Perguntei porque estavam rindo! Não tinha motivo. Falaram que Anita era o nome daquela moça - e linda moça, ainda por cima - daquela minissérie - se é que dá pra xamar assim, que passava na globo, quando eu tinha, nossa, 09 anos! Eu queria assistir ela, com seus momentos, com o José Mayer velhotão (na época, era velhote! imagina hoje...). Mas minha mãe não deixava! dizia que eu tinha que ir dormir cedo. mas eu sempre assistia pelo menos até o primeiro intervalo... era demais! Eu me espelhava nela. Né, realmente.
Ele disse que Anita era um nome bonito, e muito mais que Adalgisa! Voltou a repitir que Adalgisa era feio. Eu, com minha raiva misturado com volúpia, já estava por aqui com aquele cara. Pirei então, quando eu, conversando com minha irmã, o vi erguendo o vestido de Anita...! Não pensei 2x, foi instantâneo: meti um soco duro, muito seco, em seu estômago. Nossa, que gostoso! Amei aquele soco, mas fiquei um pouco meio assim de ter dado. Afinal, ele me tratava bem de alguma forma. Me oferecia cerveja, eu dizia não. Me oferecia cigarro às vezes, eu dizia não. Me ofereceu seu cabelo, sua boca, sua mão, suas pernas! Eu disse não, não. E não.
Falei pro Jeffrey nunca mais ter feito o que fez, com Anita. Nem com nenhuma das minhas bonecas. Expliquei que elas eram minhas filhas, e ninguém ousaria tocá-las. Nem ele, nem ninguém. Só eu, e o Rafael tínhamos este direito. Disse a ele que eu estava sendo boazinha, pois se não fosse ele, eu teria arrebentado. Tive dó pelo soco, eu disse, mas se fosse outra pessoa... ele estaria fodido! Não sei pq tive dó. Algum sentimento me prendia.
Eu disse que precisava ir. Fui andando, me despedi. Mas ele disse, espera. Eu vou com você. Desde essa hora, já percebi o que ele estava querendo. Só não sabia exatamente o que ele queria.
Sábado, foi tão estranho. Fiquei lá, jogada, no tribos, com o Bruno. Conversávamos, conversávamos. E ele falava, e eu falava... de um jeito homogêneo. Me acalmava e me atiçada, de certa forma. Da próx, quero estar jogada sozinha, sem ninguém. SEM NINGUÉM.
Então, Jeffrey estava lá. Quando estávamos lá fora, eu o olhava, tão estranho... sentia alguma coisa. sentia vontade de ir lá conversar com ele, mas isso ele não sabia.
PARTE II
Sábado, resolvi sair. Só fui porque a Kriska insistiu muito. Eu estava morrendo de sono, ainda mais com meus problemas de pseudo-insônia... demorava 1 hora pra mais para dormir, só pensando no que iria ser de mim. Pensando no que o Rafael podia estar pensando, pensando no que ele poderia ter se decidido... e qual era a opção mais provável que ele achava que iria se decidir. Eu ainda estava confusa, não sabia direito... achei que ele iria me dizer sim. Mas não disse... Mudei pra quê? Fiz todo esse esforço, há uns 4 meses, me cobrando todos os dias, dizendo: "Karol, você precisa mudar! Agora você sabe que você o ama, e o quer toda hora, e não apenas de 10 em 10 minutos..." Que valor tem agora, a minha mudança? Não tem valor algum, pois o fiz para ele. E se ele não está comigo, não tem mais valor ainda. Estou diferente para mim? Sim, estou, mas também pra você. Se fosse só por mim, eu nem mudaria. Pelo contrário, ficaria na mesma, sem ninguém. Pois esse tipo de mudança se faz por si mesmo e por alguém, tipo de uma união, um acordo. Se eu fizesse só por mim, na certa eu não teria ninguém. Não teria namorado, não teria amor. Não amaria ninguém. Desse jeito, a mudança teria muito valor: o individual, apenas para lhe fazer bem... mas na prática, como não existe um "amado", a mudança não existe de verdade. Só na teoria não funciona... ele deve existir na prática. E sem o Rafael, não existe prática. Compreende?
Enfim, o Bruno me ligou. Meio que "marcamos" de sair, algo bem fútil, curto, ou seilá. Disse que estava vindo, com o Vinícios, para cá. Ele veio dirigindo! hahaha.
Eu disse que estava prestes a ir embora, só ia esperar ele chegar, cumprimentar, e ir pra casa dormir. Mas ele disse... "poxa karol, eu só vim aqui por causa de você, e você vai embora?". Isso me tocou um pouco por dentro, mas não muito, comparado à alguns meses, quando nos conhecemos. Eu já estava farta de tudo isso, de tanto sono, de tanto ser rejeitada por meu amado, de tanto esperar uma resposta de término ou de continuidade... minha espera era forte, mas se tornava fraca, quando eu pensava no que ele poderia estar pensando, em relação à nós. se é que estaria pensando...
Resolvi ficar. Bruno veio por mim, então ficarei um pouco. Antes disso, Jeffrey e Wesley já estavam comigo, lá fora, conversando. De novo, J. me ofereceu cerveja. Pois quantas vezes tenho que dizer pra esse maldito que eu não bebo, porra? Sei que ele não esquece disso. Ele sabe bem como eu sou, e ainda diz que sou bonita. É cego!
Wesley sumiu, e J. ficou conversando com uns caras grunges. Nesse momento, me senti só. Não tinha ninguém conversando comigo, a Kriska foi pra algum lugar, e só tava eu lá fora, esperando o Bruno chegar. Olhava Dr. J., conversando com o cara grunge. Me deu uma vontade de nos falarmos, como daquela vez - faz um tempo - que ficamos num canto, ao lado da chuva, conversando. Ficamos sózinhos, era o único lugar que eu poderia ouvir o que ele dizia. Mas em meia hora, ele pelo menos dizia 5 frases. Não é porque ele fala pouco; é porque fala lento. Seu jeito lesado é engraçado, me lembra de mim. Falamos de tudo nesse dia. Ele disse pra eu tentar, e eu sempre negava. Não porque eu realmente não queria. Mas sim, pq meus interesses eram outros... e ele sabe qual era meu interesse. o Rafael, é claro. É sempre ele.
Depois desse dia, ele me mandou uma carta. Seilá se era carta, mas dizia que pensava muito em mim. A única coisa que fiz foi ler, e devolver. Ele disse que não precisava, que eu poderia ficar. Mas eu fazia questão de devolver aquilo, eu precisava. Não quero ficar com algo que não vai ser útil na minha vida. E as folhas secas, o trigo, as pedras, o pó, vão ser? Sim. Fazem parte de mim, e fazem parte de minhas criações, que não realizo faz tempo. Da última vez que criei, usei sabonete e água. Saiu um ser perfeito... era Rafael, de algum modo. Era Rafael, no seu jeito limpo de ser, no seu jeito lagarto de ser, no seu jeito verde de ser... no seu jeito amoroso de ser. Era o Rafael antigo, que eu amo. Porém calmo, menos inciumado, mais preocupado comigo. E que só queria saber de mim, só de mim.
J. diz: "Mas não tem como mesmo, já era a gente?" Como assim, "já era a gente?" Nem tivemos nada... e nem iremos ter. Eu não quero, eu disse isso desde a primeira vez que te conheci. Só disse que o achava bonito, e mais nada. Afinal, bonito, quase todo mundo é...
Então, voltando ao dia do Tribo's: J. conversava com seus amigos, e eu sentia vontade de conversar com ele. Pq me sentia sozinha, jogada, inútil, perdida, Ignorada, rejeitada. Mas não é por isso, que eu queria ficar com ele. Pelo contrário, eu só queria uma companhia, de um considerável "amigo que quer ficar comigo".
Bruno chegou, e entramos. Ficamos jogados no chao úmido, conversando sobre filosofia. Eu dizia que não curtia algumas idéias de Platão, e ele retrucava dizendoque as idéias são certas. Não gosto de Platão em política, apenas. Eu falava de Bacon, que odiei o seu sistema de Ídolos. Mas ele não conhecia Bacon. Eu Falava de Descartes, extremo racionalista. Mas ele não sabia dizer. Bruno é bem mais Sócrates, Aristóteles, Platão e Plotino.
Falamos de mais algumas coisas, que é segredo, afinal. Não gosto de falar sobre isso, mas vou falar. Bruno me dizia pra eu largar mão de ser boba. Largar mão de ficar atrás de alguém que não me quer, que não quer ficar comigo. Mas quem disse que o Rafael não quer ficar comigo? Ele quer, mas não sabe COMO e que JEITO tentar. Pra todo problema, existe solução... Apenas ele (ou a humanidade) não descobriu. Pra tudo existe um jeito. Para o K♥K existe um jeito. PARA EU E ELE EXISTE UM JEITO, PARA SERMOS FELIZES, COMO NOS SONHOS QUE TENHO. FORA OS SONHOS... VIVI ESTE LUGAR, O PARAÍSO. PEDI PRA QUE ELE ENTRASSE, MAS ISSO FOI QUANDO ELE FEZ UM PSEUDO-TÉRMINO COM NOSSAS CONSTRUÇÕES. O PARAÍSO EXISTIU DE VERDADE, POIS EU O VIVI. SAIU DO PSICOLÓGICO, PARA O FÍSICO EXPERIMENTAL. E ELE NÃO QUIZ ENTRAR, ELE NÃO QUIS...
No final, falei com Wesley. Na verdade, ele chegou e me abraçou, perguntando como eu estava. Eu disse...bom, enrolei pra dizer. A verdade é que eu estava acabada, mal, ruim... pois não tinha o que eu queria. que era Raf. Ele perguntou sobre o Jeffrey, se eu pensava nele. Disse que pensava, superficialmente. Lembrava das palavras da carta, e das frases dele dizendo alguma coisa lenta. Eu sempre perguntava dele, pra saber se ele estava bem ou mal. Afinal, ainda tenho o meu veneno, e joguei um pouco nele. O veneno, não o da rosa quase morta, mas o que lhe traz dor. Isso acontece sem eu querer... Agora, o veneno da rosa, na maioria das vezes é voluntário, quando o jogo em alguém. E o joguei em Rafael.
Wesley disse: " se vc pergunta sempre dele, é pq sente alguma coisa. O seu incosciente lembra-se dele, embora você, não."
O que ele quiz dizer? Insinuou que sinto algo por J.? Mas nem fudendo. Se sinto, é igual o que sinto pelo Bruno. Algo de amizade profunda. Sem beijos, nem muitos laços. Apenas amizade.
Falei que conversaria com Jeffrey. Saber o que ele anda pensando... o que anda sentindo... o que anda querendo. Faz tempo que ele disse que gostava de mim, e que estava sentindo algo forte, diferente do que sentia pelas outras meninas, inclusive pela Mayara.
Então decidi, vou falar com ele. Não sabia o que falar, não tinha nada certo pra falar. Mas ia falar...
PARTE III
Jeff me acompanhou até o portão da faculdade. Mas a caminho do portão, ele me perguntou algumas coisas. Perguntou: "e daí, o que rola?"
Rola uma explosão na sua cabeça. É claro que não né, mas eu perguntei, do meu jeito de sempre, o que ele estava querendo dizer com isso. Eu previa o que fosse, mas não tinha certeza. Aí ele disse, "o que rola entre nós?". Caí no chão, nessa hora. Eu disse que não iria rolar nada... e ele veio com os papos que eu estou contrariando o que disse pra ele, no sábado. Poxa, eu não disse nada pra ele no sábado, só perguntei se ele gostáva de mim. Por curiosidade ou não, eu perguntei. Então, ele deve ter achado que eu quisesse alguma coisa...
Parámos na frente, e ele se aproximou perto de mim. Disse que queria me beijar, ficar comigo, queria me conhecer melhor. Nos conheceríamos, eu disse, mas sem beijos. "Não quero ficar com ninguém". Tentei explicar meus princípios. Não quero falar disso agora. Suas mãos de novo passavam por minha cintura, tentando me colocar num universo paralelo entre o mundo meu e dele. Dei um passo pra trás, pra que ele se afastasse. Então conversamos coisas profundas, e eu pra ele não se aproximar de mim, e que nem tentasse fazer alguma coisa, como das outras vezes que nos víamos. Se ele fizesse, eu nunca mais o veria. Não quero nada, nada com ninguém. Eu disse a ele para que não me forçasse a ficar com ele.
Vá embora, Jeff, me deixe em paz. Em paz com meus pensamentos, meus princípios, minhas idiotices, minha pureza, meu afastamento com as pessoas e meu ódio por estas... Vá embora. E se voltar, falaremos à 1 metro de distância, e é claro, vou estar com uma faca na mão.
NÃO QUERO VIVER ALGO NOVO. VOCÊ NÃO PRECISA ENTENDER, como eu te disse.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
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