
As cores que acendem o desejo
O frio esbarra na minha tontura, deixando-o
para trás
Congela-me cada vez que passa, e me mantém
viva.
O passado azul e escarro vão se esquentando,
conforme os verões
até nas chuvas, vêm colorindo
o que eu não quero que viva...
Continue frívolo e gélido,
intocável e distante, tão perto...
Não vá embora, pois a qualquer outrora
O calor há de me abandonar.
e sua presença é eterna.
E o que me faz, tão doce, primeiramente,
me envolver tanto com o calor?
Se ele é saudável, exuberante, picante...
e me traz a dor?
E o que me faz, tão seca, segundamente
querer beijar o seu corpo...
se ameno te quiz, com calma
passar minhas mãos em torno...
e esquecer todos os estrondos.
Me diga, o que me faz procurar teu suor?
Se nele me perco... me piro
crio um ciclo de caça
que me faz misturar não mais água,
e sim tinta com pó.
Diga logo, se não te deixo...?
Vai ser difícil. Mas se o garfo eu já deixei,
consigo abandonar a faca.
E a dor se instala em meu peito.
A comida do prato se acaba...
já não terei mais meus talheres...
então? o que me alimentará?
a única saída é comer sua carne crua...
sem pitadas de sal, pois a sua angústia
e seu nervosismo, já apimenta.
então? o que tomarei?
seu sangue preto.
Ainda não me respondeu...
Por quê estou procurando as cores quentes,
para me manterem ferventes;
para me alienar no que, humanamente,
é temporário...
por que? Achei que me trouxeste o passado,
o futuro, menos o presente
e que minha humanidade seria deixada de lado...
Não estou mais pura...
O sangue desce como um catarro
mas amacia o teu garfo...
para poder-me chupar com mais frieza.
O fogo, vem subindo, é claro, lá de baixo...
Tento excluir todos os desejos alienados...
E decifrar o teu dizer, para que me acenda.
Não abandone as cores do frio,
pois são eternas. é com elas que vivo.
porém, sempre é bom viver das quentes...
me fazem pirar contigo
e, ainda, não pensar no amanhã.
Esqueço, de vez em quando, do seu escuro
da sua pele negra, pois ela
me alucina; te faz ficar mudo;
me faz gritar o meu consciente e inconsciente, o absurdo.
Ainda escondo as nossas aventuras...
mas isso deixa pra outra hora.
o que irei expôr é fortemente psicótico, louco e,
viciante.
Adeus, aos não-desejos
seria melhor misturas todas as cores?
ou melhor... viver cada uma de cada vez.
*tela de Van Gogh, The starry night.

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