terça-feira, 19 de maio de 2009

Jornal da UEM


Jornal da UEM

Vários rabiscos encontrei no jornal, várias coisas a serem lidas... e eu to nem aí. isso, ano passado, pra esse jornal. eu escrevi um jornal. coisas infantis, como sempre, me remetem à cabeça e me vem perguntar porque sou assim de vez em quando. é, tento voltar a minha infância, sabendo que estou ainda vivendo nela... é só olhar alguns dias atrás e percebo minha inocência descarada.
Então, lá está escrito: vestibular inverno 2008.
inverno diz: poderia ter tirado tudo.
Ou quase.
Restai-me beber um copo d'água suja, e saciar-me dessa dor saborosa. esse desejo de arrancar tudo de ti, é algo muito selvagem, às vezes relativo, e quase certo. tirei tudo, afinal...? a resposta nunca será sim, se não o tiver em meus braços. nunca será sim, se eu não tiver um objetivo abstrato, ligado ao real, ao físico... tenho que pensar e apagar esse desenho de te tirar tudo, pois não vale nada isso se não for por amor. sempre foi por amor, o difícil foi eu ter caído na real, um ano depois. agora, quanto à pergunta se te tirei quase tudo, posso afirmar que sim. com que propósito? outra pergunta... tentei te explicar uma vez isso, mas axo que nem deu bola. ok, vamos rever... (frase típica invisível) tirar-te tudo era meu desejo, pois só assim eu me consideraria completa... só assim eu te mascaria, amassaria e jogaria fora, jogaria no lixo, e veria-te arrastando sobre mim... o que leva um demônio a ter essa sensação de prazer? pura ilusão, ou puro amor. ou os dois? acho que é meu caso. aí tenho que voltar aos conceitos passados... você nunca fez parte do meu futuro, e nem iria fazer; por isso é que fiz essas coisas. e agora conseguiu, virou a umidade de meu poço e eu continuei a te rejeitar. (quantas idéias que surgem na minha cabeça, e não consigo falar... como falar todas ao mesmo tempo para que o interlocutor compreenda? mas que interlocutor... aqui não existe ninguém. minha realidade é para mim, e como vou mostrá-la ao resto se elas vivem outra, muito diferente? como amar-te então... se seu mundo é diferente... se quer que ele seja diferente... amo-te pois chegou ao fim, chegou ao nível que sempre esperei, e continuei a te amassar como papel, inalando a névoa para meus pulmões e me afogando nas suas correntezas... mas como? como agora vou viver, sabendo que pratiquei meus rituais de maneira errada... não te joguei na areia porque quiz, foi porque senti você puxar para graus abaixo de zero... "sentir frio nos dias de calor" só para que esquente-me... vadia, prostituta, vagabunda, são adjetivos comumente meus.)
Asas quebradas e sangrentas, era minha única visão. você se abalando em meus pés, eram minha visão... seu "eu" descontrolado, involuntário, idiota. você fez nascer o "meu eu", igualzinho. espelho sobre espelho... que imagem aparece? a imagem normal... Real e do mesmo tamanho. a física pode falar ao contrário, mas não sei se existe a invertida de espelho para espelho. Você entrou no meu mundo sem eu ao menos querer. foi uma consequência do meu sentimento... pois quanto mais eu brincava contigo, mais construía um sentimento! isso tudo sem eu perceber... muito legal. olha só o que deu [sem ironia]. deu um pouco certo, sinto muita coisa por ti ainda, e quebrei a cara depois.
Embaixo de "2008": Venha, me cubra com seu escuro e me amarre com sua língua; me tenha toda, seu cheiro verde da terra, minhas narinas pedem por ele, querem a sua sombra sobre a minha.
Tudo me fazia lembrar das árvores, da terra, quando te beijava... um pleno paraíso eu sentia. e sei que ainda ele existe. meus desejos mais fervecentes já estavam nascendo; eu mal me satisfazia e esse sentimento por ti eu nem tinha. nem queria ter, pois o que sentia por ti era tão puro e imenso... que nem iria fazer diferença o prazer sexual. entretanto, meus desejos iam mais longe que sexo, mesmo sabendo que nem passavam por ele... eu queria ser apenas sua, e que sua mão rolasse pelas minhas cinturas, com uma timidez decrescente.
As músicas do Dance of Days rolavam soltas nos meus tímpanos. As pessoas passavam toda hora e me olhavam como uma poeta, eu axo. escrevia mais do que o ritmo da própria música. mas quando parava de escrever, eu demorava pra voltar a recomeçar a escrita. e o banco me amava, eu amava o jornal da uem e o verde me impulsionava! tudo isso mesmo eu escrevendo coisas melancólicas... que não tinham tão a ver com o nosso bem-estar.
Uma foto da uem no jornal, e escrevi assim: O poço esvaziou-se.. Agora permaneço em minha sede incurável. Era minha única fonte, minha correnteza de prazer... e você a jogou no mar. Agora ocupaste esse lugar, e me sinto na água, sob o sol quente do deserto. Você sabe bem que esvaziou meu poço, guardou minha água gélida, porém não a consumiu. nunca entendi o porquê... "agora permaneço em minha sede incurável". não sei mais se essa água irá voltar, mesmo voltando contigo... talvez, quem sabe? se voltarmos de verdade, não desacredito. e minha felicidade passará ao meu lado, se for assim... terei mais você e a água. perfeito paraíso das terras e do verde, que eu tanto esperava. fora a cama negra, o quarto "headleaders" e os lençóis suados. "era minha única fonte". a água era minha única fonte, e você roubaste de mim... você fazia essa água uma correnteza! quando me beijava, sentia a água cair sobre meu peito... era a minha água, que de fria se tornava quase morna, por você ser uma sauninha. e o que fez? só pode ter jogado a água no mar... já que, agora, todas as vezes que eu me sentia mal, mergulhava no mar! era porquê a água estava lá... e dar um mergulho, para mim, significava renovar, apagar os problemas. que era o que eu fazia ao te ver... e depois, você acabou ocupando o lugar da água perdida. porém, eu me sentia numa água quente, sob o sol do deserto... água quente, naquela época, só era bom com você. mas quando eu estava sozinha, era mal sinal.

Sua pele escura chama-me mais uma vez, e eu declaro dentro de mim, um amor inacabável...

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